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Little fish / Peixinho

Tourism

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Thursday, October 9, 2014

Amsterdam x Bonn por 0,00 euro

by Raymundo Prett

Introducao
Ia para Bonn, antiga capital alemã. Antes disso fui ao Lidl, supermercado com preços mais em conta, porém de boa qualidade. Este supermercado alemão fica próximo à Leidseplein onde moro, porém escondido. (excluido nestas eleições devido às turbulências eleitorais no Brasil: Compro uns biscoitos chamados favos de mel para levar para meu amigo Gerson. A marca é Estella. Não é barata, mas é de boa e leva o nome de guerra da nossa Presidenta, Dilma.)

O acesso ao supermercado parece um túnel. Ao sair, me esbarro a uns turistas portugueses e pergunto se não acham que se parece a um bunker. Portugueses com “G” maiúsculo, não respondem e me olham de cara feia.

Gosto de ir ao Lidl não por ser barato. Odeio produto barato, em holandês GOEDKOOP. Para minha mãe Guilhermina, barato era sinônimo de ordinário. Sou mais pela filosofia do VALE QUANTO PESA. Por estar escondido, o Lidl economiza nos expostos, o que se reflete no preço do produto, que mantém a alta qualidade.

Passo em casa, faço uma breve faxina. Vou fazer uma social com dona Engelsma e entregar a ela as chaves do meu olimpo. Depois sigo para a estação. Pego o bonde número 5 que faz a conexão Estação Central e o Sul da cidade. Ainda não sei por quê, ao contrário dos outros bondes, não tem trocadores para controlar quem paga e quem não paga. De qualquer jeito pegar o bonde 5 veio mesmo a calhar. Só tenho 2,20 euros no bolso pra fazer a rota Amsterdã x Bonn.

Chego ao ponto final. A Central Estação é uma das obras imponentes da capital holandesa desenhada pelo arquiteto Pierre Kuipers. Assim como o Museu Real “Rijksmuseum” é um sarapatel arquitetônico, misturando várias correntes. Diz-se que, na época da construção, houve uma revolta na sociedade que vivia num tipo de segregação cultural, cada qual no seu quadrado. Kuipers colocou e reuniu tudo num mesmo lugar, parecido ao que o Brasil da Bela Época fez no Rio de Janeiro com Pereira Passos, a Revolta da Vacina com Oswaldo Cruz, a criminalização dos capoeiras, o sincretismo religioso e depois no concretismo ideológico da Semana de Arte Moderna em São Paulo nos idos de 1922.

No interior da Estação vou conversar com um funcionário do “Trem Bala” explico que sou jornalista com low budget. Quero patrocínio para a viagem. Como descarta a possibilidade, me dirijo ao guichê para saber quanto custaria. O atendente informa haver duas possibilidades de ir a Bonn. Uma seria passando por Venlo, o que chamo de a rota da peregrinação. É mais longa porém mais barata 50,00 euros. A outra é com o trem bala passando por Arnhem, o que chamo de a  Rota Caravaggista. É mais rápida e custaria 70,00 euros. Ambas somente a ida. Pensei em perguntar se havia uma terceira possibilidade, mas deixei pra lá. Já tinha alugado ele demais com minhas perguntas.

Em frente aos guichês tem uma agência da GWK/Western Union. Fui ali me informar se aceitam Reais. O jovem holandês responde que sim e me dá umas guias de informação. Falo que já publiquei anúncios da empresa na minha revista Sem Fronteiras e que agora quero patrocínio para o meu blog. Como estou sem caneta ele me presenteia com a dele. Digo estar chateado com uma reportagem que li na Radio Nederland criticando a Western Union pelas taxas elevadas cobradas. Eu sempre fiz transferência pela WU. É mais caro, porem é confiável. A empresa vem da época em que entregava correspondência do Leste ao Oeste dos Estados Unidos a cavalo, como David Guetta em seu clip I shot my baby. A confiabilidade e a credibilidade ficou comprovada no filme do Steven Spielberg “De volta ao Futuro”, além disso são filiados ao Banco do Brasil. De transações duvidosas de dinheiro quero distância.

Passo na Agência Municipal de Turismo para fazer um PR com os parceiros do iamsterdam.nl e vou à plataforma 5. Enquanto espero converso com um maquinista sobre a melhora nos serviços, após a criação de um tipo de trem parador, que gira com maior frequência, como os ônibus no Rio de Janeiro, gerando também mais vagas de emprego. Ele diz que ainda existe muito problema de atraso. Olho para a plataforma ao lado e vejo a terceira opção de viajar. Pegar um trem nacional até Arnhem e depois seguir com outro até Bonn. Não titubeie e fui na fé no trem rumo ao Leste holandês.

De Amsterdam a Bonn
Via Utrecht tomo a rota caravagista
De trem a caminho do Sul
Sigo a saga do artista.

Fome bate
O King Burger gratuitamente alimenta
Neste mundo cercado de loucos
Nem a estrutura aguenta

Eu nao pago, tu nao pagas
Ninguem paga.
Em Arnhem o frio aperta
e o inspetor esquenta
Multa.

PS: Desculpa a falta de acento acontece que na Alemha o teclado e diferente da Holanda, como e o da Belgica, como e o da Franca, em fim CADA QUAL NO SEU TECLADO NESSA UNIÃO DO EUROPEU.

Meu bairro, que amo!!!

Bairro independência
Moradia de nobre e vilão
De igrejas e delegacia
E da antiga exposição

Passeando pelo bairro
Contemplo novo e moderno
Dividindo o mesmo espaço
Cimento, asfalto e aço

Igreja matriz.
Pérola de singela nobreza
Igreja Nossa Senhora de Fátima
Cânticos de grande beleza

Garças brancas sobrevoam o bairro
A cada amanhecer
Com seus hinos de louvor ao Sol
Vão em busca do seu bem querer

Bairro das crianças solitárias
Viajantes do espaço cibernético
Confinadas na sua solidão
Pela falta de opção

Por vezes, águias caçadoras
Sobrevoam o bairro
Procuram suas presas
Perdidas e cheias de incertezas

Bairro das mulheres fogosas
Bonitas, educadas e trabalhadeiras
Professoras, advogadas e secretarias
Mas também das faladeiras

Casas de concreto e de barro
Ocultam obras da criação
Estrelas florescendo
A esperara do verão

Bairro Independência
De muita contradição
É o bairro que amo
Com todo o meu coração

 Pois ele e o meu bairro.